Efetivação da educação infantil
Para que a educação das nossas crianças se efetive é fundamental a existência e harmonia de três elementos: processo de produção das políticas, gestão do sistema e práticas das instituições.
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Praticar para aprender
Nesta disciplina, já estudamos várias questões fundamentais para se compreender o olhar sobre a infância a partir de aspectos históricos, sociais e políticos. No entanto, essa jornada não acabou. Nesta seção, refletiremos sobre as possibilidades de organização e condições para que a educação infantil se efetive na realidade brasileira. Para isso, compreenderemos como se configura o regime de colaboração entre as diferentes instâncias administrativas (federal, estadual e municipal).
Outro aspecto interessante que estará em nossos estudos diz respeito ao modo como a educação infantil é estruturada em turmas, faixa etária e jornada parcial ou integral. Também vamos refletir sobre a importância da gestão para o funcionamento e desenvolvimento desta etapa de ensino, sempre buscando estabelecer diálogo e práticas que favoreçam a escolarização das crianças brasileiras.
O contexto de aprendizagem desta unidade se refere à realidade da pedagoga Rafaela, que trabalha no Centro de Educação Infantil Cecília Meireles. Ela organiza o processo de gestão da escola e também auxilia os professores com o planejamento das turmas, sempre em busca de articulação entre as práticas pedagógicas e o currículo da escola. Rafaela começou a ficar intrigada com a fala de alguns docentes, pois muitos desses profissionais tinham uma visão de infância que considera equivocada e entendiam que a criança deveria realizar atividades que, muitas vezes, não coincidiam com sua faixa etária. Em outros casos, os professores compreendiam o trabalho na educação infantil como um cuidado assistencial, perdendo, em muitos momentos, o caráter educacional. Preocupada com esta situação, a pedagoga conversa com a diretora Helena e, juntas, organizam uma formação continuada na escola para que os docentes possam refletir sobre a constituição da educação infantil no Brasil. A formação intitulada “Conhecer a história para compreender a criança” acontecerá em três momentos, os quais serão resgatados os avanços e desafios da educação infantil em seus aspectos históricos, políticos e sociais.
Durante o segundo encontro da formação, os professores puderam refletir sobre o direito das crianças ao ensino de qualidade e também a necessidade de problematização da realidade educacional para que as políticas se efetivem e propiciem condições para os alunos aprenderem e os professores ensinarem. Por conta desta questão, os professores ficaram interessados em compreender o papel das diferentes instâncias e o regime de colaboração estabelecido entre as dependências administrativas para a oferta de uma educação infantil gratuita e de qualidade. Assim, a professora Carolina, responsável pela formação, deverá organizar uma fala que contemple os seguintes aspectos:
- Trabalho colaborativo entre as dependências administrativas para a concretização da educação infantil.
- Caracterização das instituições que ofertam a educação infantil.
- Condições para a efetivação do trabalho na educação infantil.
conceito-chave
As políticas educacionais são construídas para direcionar as ações no cotidiano escolar. Por meio delas, as instituições de ensino se estruturam, visando atender às necessidades essenciais do seu aluno. O Estado deve se responsabilizar pela garantia de acesso, permanência e sucesso escolar das nossas crianças, visto que a educação é um direito social no Brasil. Agora que já temos essa base inicial, vamos estudar novos aspectos.
O REGIME DE COLABORAÇÃO PARA A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Quando falamos em “dever do Estado”, o que passa pela sua cabeça? É importante compreendermos que a nomenclatura “Estado” é utilizada para se referir ao poder executivo. Sendo assim, no artigo 211 da Constituição Federal de 1988, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão organizar os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para que todos os alunos da educação básica sejam atendidos. Neste viés a União:
organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistribuitiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
Como o nosso foco é a educação infantil, um ponto importante é saber o que a lei fala sobre esta etapa. Segundo a Constituição, os municípios atuarão prioritariamente para o atendimento das demandas desta etapa de ensino e, por meio de um trabalho colaborativo, esta dependência administrativa deverá estar articulada com o Estado e a União para que os padrões de qualidade estabelecidos sejam alcançados e os serviços se concretizem na realidade. A dependência municipal também deverá estruturar diretrizes e competências para a respectiva etapa de ensino mencionada (BRASIL, 1988).
Vale destacar que este trabalho deve ser concretizado com a colaboração dos outros entes administrativos e que o município deve atender às determinações das políticas em âmbito nacional, respeitando as necessidades e particularidades dos alunos atendidos. Outro ponto que deve ser destacado é o dever do município em organizar um sistema de ensino para que todas as ações educacionais que a ele competem sejam atendidas. É indispensável que este sistema seja estruturado pela secretaria e pelo conselho municipal de educação. O sistema também deve se responsabilizar pela criação, manutenção e organização das instituições sob sua tutela e supervisionar as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada (BRASIL, 1996).
Você sabia que para os municípios realizarem um trabalho bem estruturado é crucial a organização de seu sistema, por meio de uma gestão que acompanhe, monitore e indique caminhos para que a educação das crianças aconteça?
Nas palavras de Kramer, Toledo e Barros (2014), para que a educação das nossas crianças se efetive é fundamental a existência e harmonia de três elementos, que são: processo de produção das políticas, gestão do sistema e as práticas das instituições. O poder público, aqui representado pelo município, deverá atuar nestas três frentes, atendendo às normativas das políticas nacionais e direcionando as ações do sistema municipal a partir da gestão e das orientações sobre as práticas. Mas você pode estar se questionando sobre como o município se encarrega de auxiliar todas as instituições que ofertam a educação infantil, certo? Veremos na sequência como isso se dá.
A gestão se refere ao trabalho de orientar, analisar, assessorar e monitorar as ações realizadas. Desta forma, os municípios se organizam por meio de secretarias de educação, as quais realizarão este trabalho a partir de uma equipe com formação na área da educação. Essa equipe vai estruturar as medidas para que tudo o que é apresentado nas políticas nacionais aconteça na prática das escolas (KRAMER; TOLEDO; BARROS, 2014).
Sabemos das necessidades de as escolas organizarem seus currículos a partir da BNCC. Para que isso ocorra, a secretaria de educação deve dar a oportunidade para todas as escolas sob sua responsabilidade de ter formação adequada, metas a serem cumpridas e avaliação sobre as ações realizadas. Esse trabalho é crucial para que as demandas e necessidades do local sejam atendidas. Para que os alunos tenham qualidade no serviço prestado é necessária articulação entre poder público, aqui representado pelo papel da gestão municipal, e escola, contando com a participação dos seguintes atores: gestão escolar, professores, familiares e comunidade.
Vale a pena também refletir sobre as condições fundamentais para o desenvolvimento da educação infantil. Sabemos que as crianças têm direitos e que a matrícula deve ser ofertada a todas, entretanto muitas outras ações devem se concretizar para que de fato tudo aconteça em perfeita harmonia, como em uma orquestra.
O que garante a sintonia para o sucesso das práticas desenvolvidas na educação infantil é a qualidade. Esta se dá por meio da junção de inúmeros fatores, entre eles a formação e condição de trabalho dos professores que atuam na educação infantil. Para construir uma sólida bagagem de conhecimentos, são necessários anos de estudos, reflexões e análises, com vistas a uma atuação consistente e compromissada. Então, isso é fruto de conquistas que encontramos tanto na LDB/1996 como nas políticas vinculadas à formação de professores. Mas e quando o professor já está atuando, como isso poderá favorecer o desenvolvimento do trabalho realizado na educação infantil? Uma resposta possível é por meio de ações que dão para o docente o suporte necessário para a realização de seu trabalho:
O Professor é peça-chave na promoção da qualidade da Educação Infantil. Para que esse profissional possa responder aos anseios e as expectativas sociais depositadas nessa etapa da Educação Básica, e necessário propiciar condições para sua valorização e desenvolvimento profissional: salário; carreira; jornada; participação efetiva na elaboração e condução dos projetos pedagógicos da instituição; formação inicial e continuada, com foco no desenvolvimento infantil, garantindo espaço para a pluralidade e para que Professores ampliem seu saber e seu saber fazer com as crianças.
Outro aspecto que auxilia no desenvolvimento desta etapa de ensino é o trabalho realizado pela gestão da escola. Ela deve ser construída no coletivo, a partir de uma perspectiva democrática, que considere as necessidades das crianças atendidas e, em conjunto, sejam traçadas as metas e os objetivos necessários para o sucesso das práticas realizadas neste espaço educativo. Esse coletivo não se restringe aos profissionais da escola, pois pais, responsáveis e comunidade devem participar e ter voz ativa no processo de tomada de decisões (BRASIL, 2018).
O fruto deste trabalho coletivo será refletido no projeto político-pedagógico (PPP), o qual se refere à proposta da escola que, alicerçada pelas principais políticas educacionais, apresenta identificação, objetivos, valores, princípios, projetos e organização do espaço responsável pela educação das crianças.
Um ponto bem relevante sobre o PPP é que ele explicita as concepções pedagógicas adotadas pela escola, além de estar adequado às orientações descritas na BNCC para esta etapa de ensino (BRASIL, 2018).
Assimile
Como podemos analisar em nossos estudos, a gestão escolar possui um papel essencial para que as ações na escola aconteçam de forma efetiva. Para isso, é fundamental a sistematização das propostas e ideias que são baseadas pelas políticas educacionais, as quais direcionam e descrevem os direitos de aprendizagem. As informações são apresentadas no projeto político-pedagógico (PPP), documento elaborado em uma perspectiva democrática, conforme apontado nos artigos 14 e 15 da LDB/1996. Essa discussão é necessária, pois o trabalho realizado na gestão democrática, o qual se materializa no PPP, descreve o modo como a instituição estrutura as possibilidades e os percursos para se propiciar as condições fundamentais do funcionamento da primeira etapa da educação infantil e você, enquanto futuro pedagogo, deve compreender o trabalho tanto do professor quanto do gestor, pois poderá atuar nas duas frentes mencionadas.
Esse conjunto de práticas, ações e reflexões pode gerar questionamentos como: “Nossa, quanto trabalho. Como a escola vai se estruturar para acompanhar todas essas ações?”. Então, isso acontece por meio do planejamento e da avaliação dos processos, efetivados a partir de uma articulação entre os profissionais da escola (gestores e professores) que vão traçar procedimentos para acompanhamento, avaliação e replanejamento do trabalho pedagógico. Essa avaliação acontecerá a partir da reflexão sobre os avanços alcançados pela escola e o que ainda precisa ser aperfeiçoado no contexto. Essa análise permite uma reflexão da prática para que os ajustes e intervenções necessários aconteçam na realidade escolar (BRASIL, 2018).
Como analisamos, essas condições devem ocorrer alicerçadas pelos direitos de aprendizagem indicados na BNCC, a partir da construção de um ambiente que apresente às crianças situações estimuladoras e desafiadoras. Também deve ser assegurado um trabalho colaborativo entre gestão e professores, sustentado pelos princípios de compromisso, consistência, coerência, participação no decorrer da elaboração, implementação e avaliação do PPP da escola.
Outro ponto fundamental para a discussão do tema se refere às instituições que ofertam a educação infantil. O primeiro aspecto que temos de considerar é a necessidade de esta etapa ser ofertada em um espaço adequado com profissionais capacitados. De acordo com o Conselho Nacional de Educação, esta etapa de ensino deve ser oferecida em creches, pré-escolas e outros, e esses espaços devem ser institucionalizados, ou seja, esses serviços não podem ser ofertados em ambientes não formais por dois motivos:
- Garantia de uma educação de qualidade que respeite as necessidades das crianças atendidas.
- Quebra com qualquer resquício de educação que esteja vinculada com uma perspectiva assistencialista (BRASIL, 2018).
Outro ponto a ser observado diz respeito ao modo como a política apresenta a organização das instituições que ofertam educação infantil. No tocante à nomenclatura das instituições, elas poderão variar mediante a realidade e a dependência administrava responsável pelos serviços. Por exemplo, em uma rede municipal que oferta educação infantil, podemos encontrar a seguinte denominação: “centro municipal de educação infantil”. Já na rede privada, podemos nos deparar com “escola de educação infantil” ou apenas “escola”, pois a instituição poderá ofertar outras etapas de ensino. O que devemos levar em consideração não é a nomenclatura em si, mas a adequação e regularização deste espaço, o qual deve seguir as orientações das políticas educacionais e seu funcionamento deve ser monitorado e autorizado pelo Conselho Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Educação.
Outro aspecto que devemos considerar é que educação infantil apresenta uma peculiaridade, em comparação com as outras etapas, a qual se refere à definição de sua composição a partir da faixa etária. Nesta etapa, as crianças podem ser matriculadas na creche ou na pré-escola (ROSEMBERG, 2014).
Exemplificando
Vamos retomar o regime de colaboração para o funcionamento da educação infantil. Notamos em nossos estudos que os municípios devem atuar prioritariamente sobre a organização da educação infantil. Mas será que esta instância administrativa pode tomar todas as decisões sobre a estruturação desta etapa sem atender às normativas nacionais? A resposta é não. O trabalho colaborativo se refere à função de cada instância na educação brasileira (União, Estados, Distrito Federal e municípios). É como uma engrenagem que depende de várias peças para funcionar, ou seja, cada uma tem a sua importância. Os municípios são responsáveis por organizar o sistema de ensino, orientando e monitorando as práticas, sempre de acordo com as normativas de âmbito nacional, ou seja, as políticas elaboradas pela União. A autonomia dos municípios não pode ultrapassar as exigências pontuadas pela instância federativa, pois o foco é dar oportunidade para todas as crianças nos quatro cantos do país uma base comum de conhecimentos fundamentais para sua trajetória escolar.
ASPECTOS RELACIONADOS AO FUNCIONAMENTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
Se analisarmos a BNCC, essa organização fica ainda mais clara, pois, segundo o documento, os direitos de aprendizagem e os campos de experiência são organizados conforme as singularidades dos diferentes grupos etários. Observamos que as práticas são desenvolvidas de forma sequencial, respeitando o momento da criança e o nível de desenvolvimento em que ela se encontra. Para isso, as instituições escolares devem se organizar em três grupos por faixa etária.
| CRECHE | PRÉ-ESCOLA | |
|---|---|---|
| Bebês | Crianças bem pequenas | Crianças pequenas |
| De zero a 1 ano e 6 meses | De 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses | De 4 anos a 5 anos e 11 meses |
Outro ponto bem interessante sobre essa questão que devemos nos atentar é que a BNCC apresenta de forma explícita que esses grupos não podem ser estruturados e compreendidos de forma rígida, pois em nossa realidade se encontra uma pluralidade de condições e ritmos de aprendizagem, os quais devem ser respeitados e analisados caso a caso, tanto pela gestão que monitora os serviços educacionais quanto pela escola que está face a face com os alunos no cotidiano (BRASIL, 2018).
Foco na BNCC
Um conteúdo bem interessante que estudamos nesta seção se refere aos grupos de faixa etária apresentados na BNCC. Juntos, observamos que a creche é dividida em dois grupos (bebês e crianças bem pequenas) e a pré-escola compreende um grupo (crianças pequenas). Quando analisamos a organização dos campos de experiência, verificamos que eles são apresentados a partir dessa divisão dos grupos. Por exemplo, o campo de experiência denominado “Traços, sons, cores e formas” apresenta diferentes objetivos de aprendizagem, mediante a faixa etária. Verifique o primeiro objetivo de cada grupo:
- Bebês: explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente.
- Crianças bem pequenas: criar sons com materiais, objetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos ritmos de música.
- Crianças pequenas: utilizar sons produzidos por materiais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas.
Observe que os objetivos vão se modificando conforme a idade das crianças, e isso ocorre de forma sequencial, respeitando cada fase de desenvolvimento e aprendizagem.
Outra questão que deve ser analisada por nós diz respeito aos diferentes tipos de regime de oferta da educação infantil. De acordo com a LDB/1996, as crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos podem ser escolarizadas em tempo parcial, com uma carga horária de quatro horas ou sete horas diárias na jornada integral. Outra questão é que a escola deverá realizar o monitoramento da frequência, de modo que o mínimo exigido é de 60% da carga horária total (BRASIL, 1996).
Quando refletimos sobre a jornada na educação infantil devemos considerar que o currículo deve ser organizado mediante as necessidades das crianças, e as horas distribuídas devem ser compatíveis com os objetivos estabelecidos na BNCC e no PPP da escola. Apesar de a estrutura entre ambas as jornadas (parcial e integral) ser diferente, isso não pode refletir em divergências de acesso aos saberes fundamentais, de modo que todas as crianças têm o direito de se apropriarem dos conhecimentos indicados na BNCC.
De forma predominante, encontramos na realidade brasileira uma oferta maior na jornada em tempo parcial, pois, segundo Aquino (2015), essa oferta tem custo menor para o poder público porque requer um número reduzido de profissionais. Também computará apenas uma matrícula e não necessitará de expansão do espaço físico da escola para atender à demanda da comunidade. No entanto, podemos observar um movimento para expansão das possibilidades de atendimentos às crianças em tempo integral, devido aos benefícios dessa jornada.
VOCÊ CONHECE O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, VIGENTE DE 2014 A 2024?
Essa política é subsidiada pelos dispositivos apresentados na Constituição Federal de 1988 e apresenta metas cuja finalidade é melhorar a educação a cada dez anos. No plano vigente, encontra-se uma meta destinada à educação infantil. Em uma das suas estratégias é pontuada a importância do ensino em tempo integral. De acordo com esta normativa deve-se estimular o acesso à educação infantil em tempo integral, para todas as crianças de 0 a 5 anos.
Há discussões em torno da ampliação de jornada da educação infantil pelos avanços que ela representa na respectiva etapa de ensino. Dentre eles, podemos apontar a integralidade e indissociabilidade da educação infantil, por meio de uma educação em constante diálogo entre os profissionais envolvidos no contexto pedagógico para que as crianças pequenas tenham suas capacidades cognitivas, afetivas e expressivas garantidas. De acordo com os estudos de Araújo (2015), o trabalho desenvolvido deve ser bem estruturado para que não se tenha o risco de o atendimento se direcionar para um viés mais assistencialista do que pedagógico.
É fundamental que haja investimentos pelo poder público para que os espaços da escola tenham condições de atender às crianças, os materiais pedagógicos sejam disponibilizados e os professores tenham formação para trabalhar com os educandos.
Outro ponto que deve ser destacado em relação à ampliação da jornada na educação infantil é a relevância do monitoramento sobre as experiências e práticas realizadas. Esta perspectiva está sendo ampliada na realidade brasileira atualmente, por conta das determinações legais, e vários municípios brasileiros estão organizando centros de educação infantil em tempo integral para atender à escolarização das crianças de 0 a 5 anos.
Reflita
A partir das nossas análises é possível observar quantos avanços foram conquistados na educação das crianças de 0 a 5 anos. Atualmente todo o processo de funcionamento da educação infantil é regularizado, desde as orientações para o currículo até as condições de jornada desta etapa de ensino. Em relação à oferta da educação infantil em tempo integral, verificamos que se encontram incentivos na legislação brasileira para sua expansão, visando à integralidade e consolidação de práticas pedagógicas efetivas para crianças matriculadas nas creches e pré-escolas. Com base no exposto, você conhece alguma escola em seu município que oferte educação infantil em tempo integral? Para você, quais são os maiores desafios enfrentados pelos professores que atuam na educação infantil nessa jornada?
Com base nas pesquisas de Maurício (2015), a estruturação dos serviços deve ser alicerçada nos seguintes aspectos: organização do tempo que permita a realização de múltiplas atividades educativas; espaço para a convivência e realização das atividades de todas as turmas atendidas na creche e pré-escola da instituição e capacitação de professores que possibilitará uma reflexão sobre como estruturar as atividades, atendendo a todas as exigências estabelecidas nas normativas curriculares.
Para que tudo seja consolidado é fundamental a colaboração entre poder público, gestão do sistema municipal de ensino e gestão escolar. Esse trabalho em conjunto, da dimensão macro à micro, possibilita uma educação em tempo integral “garantidora de direitos às crianças pequenas, superando as correntes prerrogativas que a situam em uma perspectiva de política compensatória e preventiva dos males ocasionados pelas mazelas sociais da sociedade contemporânea” (PEIXOTO et al., 2015, p. 43).
A educação infantil em tempo integral pode colaborar para a escolarização de várias crianças por amplificar as possiblidades de práticas diárias que colocarão os alunos em contato com experiências e vivências que articulem os saberes assimilados na escola com o cotidiano. Para isso, a organização pedagógica deve proporcionar ao aluno vinculação entre as aprendizagens experimentadas na instituição com a cultura, estimulando seu repertório linguístico, afetivo, cognitivo, psicológico e emocional.
A educação infantil em tempo integral não pode ser analisada como “turno e contraturno”. As ações e propostas devem estar integradas com a carga horária diária, e a distribuição das atividades deve considerar as demandas e necessidades das crianças, atentando para a faixa etária, turma e objetivos de aprendizagem (PEIXOTO et al., 2015).
Tudo isso ocorrerá a partir da proposta pedagógica da instituição que será apresentada no projeto político-pedagógico. Como já vimos, esse documento direciona as ações escolares e, por conta de seu papel, deve expor a sistematização do trabalho, atendendo às especificidades dessa jornada e às necessidades de aprendizagem dos alunos (PEIXOTO et al., 2015).
Educação infantil em tempo integral.
As políticas educacionais vinculadas à educação infantil pontuam a importância de ofertar e expandir o atendimento em creches e pré-escolas em tempo integral. Reflita sobre os seguintes pilares dessa proposta.
Integralidade: A escola deve organizar o trabalho pedagógico de modo que permita o atendimento de todas as dimensões humanas, considerando os aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores. O arranjo das práticas deve considerar não apenas a expansão do tempo, mas as possibilidades de trabalho pedagógico que favoreçam o processo do desenvolvimento integral da criança. O trabalho desenvolvido deve ser elaborado em uma perspectiva multidisciplinar, agregando as contribuições das diferentes áreas dos conhecimentos com os objetivos de aprendizagem de cada grupo de faixa etária.
Intersetorialidade: Assegura a efetivação das políticas públicas de diversos campos, visando potencializar a oferta de serviços públicos que garantam a qualidade do ensino.
Transversalidade: Construção de uma prática que vincule os conhecimentos socializados na escola com os interesses dos alunos e a utilização das aprendizagens no contexto social, propiciando reflexões e resoluções de problemas.
Diálogo escola-comunidade: Proporciona a valorização dos conhecimentos da comunidade como do mundo e da vida e utiliza a instituição escolar como espaço para trabalhar e resgatar as tradições e culturas populares.
Territorialização: Possibilita a aprendizagem e as práticas para além dos muros da escola a partir de parceria com a comunidade e as instituições culturais, com base em projetos significativos que auxiliam o desenvolvimento de ações vinculadas à realidade dos educandos.
Trabalho em rede e convivência familiar: Estabelece parceria entre família e escola, por meio de uma gestão democrática. Sendo assim, o diálogo permite troca de experiências e informações, com o objetivo de construir em um espaço de aprendizagem sólido para as crianças.
Por dentro da BNCC
A discussão da nossa seção é sobre as condições de funcionamento da educação infantil e nada melhor do que examinar a BNCC para compreender as possibilidades de organização do trabalho pedagógico. Refletindo sobre essa questão, é relevante pensarmos o reconhecimento das “especificidades dos diferentes grupos etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, que correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças” (BRASIL, 2018, p. 43).
O mais interessante é que a BNCC apresenta os objetivos de aprendizagem de todos os campos de experiência a partir das necessidades de cada grupo de faixa etária, justamente para auxiliar os professores no planejamento das práticas pedagógicas nesta etapa de ensino.
A partir das nossas reflexões, foi possível entender a relevância de um trabalho colaborativo entre todas as instâncias. Podemos observar um caminho promissor para a construção de uma educação infantil com qualidade. É muito interessante você pensar sobre os diferentes papéis exercidos na educação brasileira, pois poderá atuar tanto na gestão quanto na sala de aula e, por isso, é fundamental analisar os desafios, avanços e perspectivas deste campo de estudo e atuação, pois nosso foco é lutar para uma educação efetiva e contribuir para sua realização.
Faça a valer a pena
Questão 1
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, a educação infantil é a primeira etapa da educação básica e deverá atender as crianças entre 0 a 5 anos. Sendo assim, os sistemas de ensino deverão trabalhar em colaboração para que haja expansão da garantia e oferta de matrículas nas creches e pré-escolas, atendendo às demandas apontadas nas políticas educacionais. Considerando estes aspectos, avalie as asserções e a relação proposta entre elas:
- Os municípios devem atuar prioritariamente na organização da educação infantil a partir das ações realizadas pelas secretarias de educação
PORQUE
- A gestão do sistema municipal de ensino tem o papel de analisar, assessorar e implementar ações educacionais que promovam as práticas pedagógicas e a qualidade desta etapa de ensino.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
Tente novamente...
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Correto!
O munícipio é compreendido como instância prioritária, a partir das funções atribuídas pela União, que garante a equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios. Sendo assim, o papel do sistema municipal de ensino é fundamental para a efetivação do padrão de qualidade exigido pelas políticas educacionais.
Questão 2
“A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação.” (BRASIL, 2018, p. 7)
Atualmente, a BNCC é o principal documento curricular para organização das práticas pedagógicas na educação básica. No que se refere à educação infantil, o documento apesenta os direitos de aprendizagem e os campos de experiências. Em relação aos grupos de faixa etária, avalie as afirmativas e marque V para verdadeiro e F para falso:
( ) Os grupos de faixa etária correspondem às possibilidades de aprendizagem e às características do desenvolvimento das crianças.
( ) Os grupos de faixa etária devem ser considerados de forma rígida, pois é fundamental a padronização da aprendizagem.
( ) Existem três grupos de faixas etárias, sendo eles: bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas.
Agora, assinale a alternativa CORRETA:
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Tente novamente...
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Correto!
A primeira afirmativa é verdadeira, pois os grupos de faixa etária foram pensados para atender as singularidades de cada estágio do desenvolvimento das crianças, visando potencializar a aprendizagem. A segunda afirmativa é falsa, pois os grupos não se constituem em um caráter de rigidez, visto as diferenças e especificidades dos alunos. A terceira afirmativa é verdadeira, pois existem de fato três grupos: dois ofertados na creche (bebês e crianças bem pequenas) e um na pré-escola (crianças pequenas).
Tente novamente...
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Questão 3
Atualmente, as políticas educacionais apresentam de forma concisa os caminhos que devem ser percorridos para a estruturação das práticas pedagógicas. Esses avanços favorecem os gestores e docentes no momento de estruturar o funcionamento da educação. Dentre os inúmeros aspectos que devem ser considerados, destacamos a jornada. Sobre esse aspecto, analise as asserções e a relação proposta entre elas:
- De acordo com a LDB/1996, a educação infantil pode ser ofertada em tempo parcial e integral e deve garantir os direitos de aprendizagem
PORQUE
- A oferta da educação infantil como apresentada nos dias atuais é fruto de conquistas para que todas as crianças tenham oportunidade de aprender e se desenvolver.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
Correto!
Ambas afirmativas são verdadeiras e uma justifica a outra, pois a legislação pontua que os serviços destinados à educação infantil poderão acontecer tanto em período parcial quanto integral. O aspecto mais relevante das especificidades de cada jornada é o atendimento ser capaz de garantir os direitos de aprendizagem, os quais representam avanços e benefícios para a etapa de ensino mencionada.
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Referências
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BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília, 1998.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Institui a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394. Diário Oficial da União. Brasília, 1996.
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