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O tronco encefálico se divide em bulbo, ponte e mesencéfalo, enquanto a medula espinhal está segmentada em pares de nervos raquidianos.
Fonte: Shutterstock.
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Nesta seção, você vai continuar o estudo do sistema nervoso central aprofundando-se no estudo do tronco encefálico e suas divisões em bulbo, ponte e mesencéfalo, estudando ainda a medula espinhal, com relação aos reflexos medulares, arcos reflexos e líquido cefalorraquidiano.
Thiago, Lucas e Gustavo assistiram ao filme De Volta para o Futuro, que foi produzido em 1985, e interessaram-se pela interpretação do artista Michael Fox e foram para a internet pesquisar sobre ele para saber o que ele está fazendo atualmente como ator. Quando começaram a sua pesquisa, depararam-se com toda a problemática que esse ator está enfrentando desde 2000, quando anunciou que abandonaria a carreira de ator em função de estar com a Doença de Parkinson. Atualmente ele tem se dedicado a arrecadar fundos para pesquisas com as células-tronco. Espera-se que um dia elas possam ajudar no tratamento das vítimas da Doença de Parkinson e outras doenças debilitantes.
Com certeza, todo o conteúdo a ser apresentado a seguir dará condições para que Thiago, Lucas e Gustavo, e também você, possam responder: qual é a região do sistema nervoso que a Doença de Parkinson ataca e quais são os principais sinais e sintomas?
O tronco encefálico é a parte do encéfalo que está localizada entre a medula espinhal e o diencéfalo, sendo dividido em: bulbo, ponte e mesencéfalo. Estendendo-se pelo tronco encefálico encontra-se a formação reticular, que é uma região de substância branca e cinzenta, é considerada como o centro de controle da homeostase, com as funções de respiração e ritmo cardíaco.
Bulbo
É uma continuação da parte superior da medula espinhal, formando a parte inferior do tronco encefálico, que tem início no forame magno e se estende até a margem inferior da ponte.
Dentro da substância branca do bulbo estão todos os tratos sensitivos (ascendentes) e motores (descendentes), que se encontram entre a medula espinhal e outras partes do encéfalo. Uma parte da substância branca forma protuberâncias na face anterior do bulbo.
Essas protusões são as pirâmides formadas pelos tratos motores maiores, que passam do cérebro para a medula espinhal. Logo acima da junção do bulbo com a medula espinhal, 90% dos axônios situados na pirâmide esquerda cruzam para o lado. Ainda 90% dos axônios situados na pirâmide direita cruzam para o lado esquerdo. Esse cruzamento é chamado de decussação das pirâmides e é responsável pelo controle dos movimentos no lado oposto do corpo.
Os núcleos associados com as sensações de tato, de propriocepção consciente, de pressão e de vibração estão localizados no bulbo. Muitos axônios sensitivos ascendentes formam sinapses e os neurônios pós-ganglionares, então, retransmitem a informação sensitiva para o tálamo no lado oposto do encéfalo.
Ponte
A ponte une partes do encéfalo entre si. Essas conexões são formadas por feixes de axônios, que conectam os lados direito e esquerdo do cerebelo. Outros axônios são partes dos tratos sensitivos ascendentes e dos tratos motores descendentes. Em diversos núcleos pontinos, os sinais para os movimentos voluntários originam-se no córtex cerebral e são retransmitidos para o cerebelo. Outros núcleos são: área pneumotáxica e área apnêustica junto com a área respiratória rítmica (as áreas pneumotáxica e apnêustica ajudam a controlar a respiração).
Mesencéfalo
O mesencéfalo estende-se da ponte até o diencéfalo. O aqueduto do mesencéfalo passa através do mesencéfalo, conectando o 3º ventrículo acima com o 4º ventrículo abaixo. Como o bulbo e a ponte, o mesencéfalo contém tratos e núcleos.
A parte anterior do mesencéfalo contém um par de tratos chamados de pedúnculos cerebrais. Eles contêm axônios de neurônios motores corticospinais, corticopontinos e corticobulbares, que conduzem impulsos nervosos do cerebelo para a medula espinhal, para o bulbo e para a ponte. Os pedúnculos cerebrais também contêm axônios de neurônios sensitivos, que se estendem do bulbo até o tálamo.
Formação reticular
Uma parte do tronco encefálico consiste em pequenos aglomerados de corpos celulares neuronais (substância cinzenta) entremeados a pequenos feixes de axônios mielinizados (substância branca). A ampla região na qual as substâncias cinzenta e branca exibem um arranjo reticulado é conhecida como formação reticular. Ela estende-se a partir da parte superior da medula espinhal, por todo o tronco encefálico e para a parte inferior do diencéfalo. Os neurônios dentro da formação reticular possuem tanto funções ascendentes (sensitivas) como funções descendentes (motoras). Parte da formação reticular chamada de sistema de ativação reticular consiste em axônios sensitivos que se projetam em direção ao córtex cerebral. Esse sistema ajuda a manter a consciência e está ativo durante o despertar do sono. Por exemplo, despertamos com o som do despertador, com uma luz ou através de um beliscão, porque a atividade desse sistema estimula o córtex cerebral. A principal função motora da formação reticular é ajudar a regular o tônus muscular, que é o menor grau de contração dos músculos em repouso normal.
É fundamental que neste momento você reflita sobre o conteúdo abordado até agora com relação ao mesencéfalo para poder compreender o que é a Doença de Parkinson.
É um distúrbio neurodegenerativo causado por uma diminuição de dopamina, principalmente em uma região encefálica chamada de substância negra. Essa patologia é caracterizada por sinais e sintomas motores e não motores, como depressão, transtornos do sono, demência e distúrbios gastrointestinais. É uma doença que afeta em média 3% das pessoas acima dos 65 anos, sendo mais frequente em homens. As pessoas que possuem parentes com Parkinson têm de duas a três vezes mais chance de serem acometidas, sendo que as manifestações não motoras podem aparecer até 15 anos antes dos sintomas motores. A idade pico para as manifestações motoras está entre os 55 e 65 anos. Os sinais e sintomas são: bradicinesia, rigidez, tremor durante o repouso, postura encurvada e marcha com passos encurtados e acelerados.
Para conhecer um pouco mais sobre a doença de Parkinson, acesse o site da Associação Brasil Parkinson.
O ator Paulo José descobriu em 1993 que tem Parkinson. Segundo o neurologista Henrique Ballalai Ferraz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em distúrbios de movimento, Paulo José, que tem uma doença neurodegenerativa e progressiva, é um exemplo. No caso do ator, o transtorno motor, como está sendo bem tratado e acompanhado pelos médicos, pode ter os sintomas revertidos, permitindo que ele desempenhe as suas atividades quase que normalmente.
A “medula espinhal” emite ramos que são chamados de “nervos raquidianos”, esses nervos saem da “coluna vertebral”, através de espaços entre as vértebras. Como a medula espinhal é menor que a coluna vertebral, os nervos saem em níveis mais abaixo do que os locais onde têm origem.
Os nervos espinhais são consideradas as vias de comunicação entre a medula espinhal e os nervos que suprem as regiões específicas do corpo.
Existem dois feixes de axônios que recebem o nome de raízes (anterior e posterior) e vão conectar cada nervo espinhal a uma parte da medula espinhal. A raiz anterior contém os axônios dos neurônios motores que conduzem os impulsos nervosos a partir do sistema nervoso central para as células e os órgãos efetores, enquanto a raiz posterior contém os axônios sensitivos que vão conduzir os impulsos nervosos a partir dos receptores sensoriais na pele, músculos e órgãos para o sistema nervoso central.
Funções da medula espinhal: reflexos e arcos reflexos
A medula pode controlar a homeostasia através da atuação como um centro de integração para vários reflexos. Os reflexos são utilizados com a finalidade de diagnosticar os distúrbios do sistema nervoso e localizar qual é o tecido lesado; quando o reflexo não está presente, é um indicativo de lesão.
O reflexo é definido como uma sequência rápida, involuntária e previsível de ações que ocorrem em resposta a um estímulo específico. Os reflexos podem ser inatos, aprendidos ou adquiridos.
Os componentes básicos de um arco reflexo são: receptores sensitivos, neurônio sensitivo, centro de integração, neurônio motor e efetor.
Um receptor sensitivo pode ser uma extremidade distal de um neurônio sensitivo (dendrito) ou de uma estrutura sensitiva associada. Esses receptores sensitivos respondem a um tipo específico de estímulo, que pode ser uma alteração no ambiente externo ou interno, gerando então um ou mais impulsos. Por exemplo, no reflexo patelar os receptores sensitivos (fusos musculares) vão detectar um ligeiro estiramento do músculo quadríceps femoral no momento em que o ligamento patelar é percutido com o martelo.
Os impulsos nervosos vão se propagar de um receptor sensitivo ao longo do axônio de um neurônio sensitivo até seus terminais axônicos, que estão localizados na substância cinzenta da porção central do sistema nervoso. Os neurônios sensitivos também retransmitem impulsos nervosos para o encéfalo, permitindo então uma percepção consciente da ocorrência do reflexo.
Na porção central do sistema nervoso, uma ou mais regiões de substância cinzenta podem atuar como um centro de integração. Em um reflexo simples, o centro de integração é um neurônio sensitivo e um neurônio motor, por exemplo, como ocorre no reflexo patelar. Em reflexos mais complexos no centro de integração será incluído um ou mais interneurônios.
Os impulsos que são disparados pelo centro de integração vão passar para a medula espinhal; ou quando se tratar de um reflexo craniano, o estímulo acontece no sentido do tronco cerebral ao longo de um neurônio motor até a parte do corpo que vai responder.
O efetor é considerado a parte do corpo que responde ao impulso nervoso motor, que pode ser um músculo ou uma glândula.
A utilização dos reflexos tem a finalidade de diagnosticar os distúrbios do sistema nervoso e de localizar o tecido lesado.
A hidrocefalia é um aumento do volume e da pressão do líquor. Quando o líquor é acumulado no sistema ventricular, ocorre a hidrocefalia interna, já a externa ocorre quando o líquor fica retido no espaço subaracnoideo. Quando a circulação do líquor não é bloqueada, acontece a hidrocefalia comunicante, já a não comunicante acontece quando existe um impedimento de acesso do líquor ao espaço subaracnoideo por obstrução do III ou do IV ventrículo.
A hidrocefalia comunicante pode ocorrer pós-meningite ou pós-hemorragia subaracnoidea, enquanto a hidrocefalia não comunicante pode ocorrer devido a tumores ou malformações congênitas.
No caso de bebês nos quais os fontículos ainda não se fecharam, ocorre um edema devido ao aumento da pressão. Se essa condição não for revertida, o acúmulo do líquido vai comprimir e comprometer o tecido nervoso. Então, essa condição precisa ser revertida através da drenagem do líquido, em um procedimento chamado de derivação, sendo então desviado para a veia cava superior ou para a cavidade abdominal.
O que caracteriza a hidrocefalia e quais são as causas mais frequentes?
Doença de Parkinson: foi descrita em 1817 pelo médico James Parkinson, o nome Parkinson para a doença foi dado como uma homenagem ao médico que a descobriu.
Hidrocefalia: é uma palavra de origem grega, em que hidro significa água; céfalo quer dizer cabeça. Essa patologia pode ser congênita ou adquirida.