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Aptidão física para a saúde

Lúcio Flávio Soares Caldeira

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Fonte: Shutterstock.

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Praticar para aprender

Nesta seção, vamos apresentar os principais elementos introdutórios que estão relacionados à aptidão física voltada à saúde por meio dos componentes: cardiovascular, composição corporal, flexibilidade e força/resistência muscular. Tais componentes são ferramentas importantes na área da Educação Física em diferentes ambientes de intervenção profissional, sendo eles: a atividade física, o exercício físico, a aptidão física e a relação entre saúde e doença. 
Assim, diante da necessidade de se conhecer os principais fatores que circundam o universo da aptidão física relacionada à saúde, o conteúdo desta seção tentará direcionar as questões teóricas básicas e pertinentes ao profissional de Educação Física. 

Relação entre atividade física habitual e saúde

Neste momento, vamos contribuir com questões pertinentes à realidade de José, um jovem e recém-profissional de Educação Física que foi contratado para desenvolver atividades físicas em uma empresa de coleta de lixo. Sabemos que o cenário da empresa em que José atuará apresenta uma quantidade significativa de colaboradores (aproximadamente 100 pessoas) e que serão permitidos 20 minutos, em 5 dias da semana, a todos os setores, para que José possa desenvolver diferentes estratégias de atividades físicas com os colaboradores em diferentes horários do dia. José já iniciou com ações específicas voltadas aos grupos de colaboradores do setor de coleta de lixo, aos motoristas de caminhão e ao setor administrativo. Entretanto, José tem percebido que o grupo de motoristas de caminhão merece maior atenção, tendo em vista os potenciais riscos que esse grupo de colaboradores estão expostos, uma vez que ficam sentados na maior parte do tempo e não apresentaram níveis suficientes de atividades físicas, sejam elas no lar, sejam de lazer ou de deslocamento. 
Frente a isso, como José pode proporcionar elementos que beneficiem a relação das atividades físicas e de saúde para esses colaboradores? Quais ações podem agregar ao que foi previamente planejado por José?  
Que este seja o início de uma importante caminhada ao conhecimento que diz respeito à aptidão física e a sua relação com a saúde do ser humano. 

conceito-chave

A aptidão física relacionada à saúde, como mencionamos na seção anterior, está relacionada às dimensões morfológica, funcional-motora, fisiológica e comportamental (GUEDES; GUEDES, 1995). Nesse sentido, há uma abordagem teórica que apresenta os aspectos relacionados à aptidão física voltada à saúde que estão relacionados as suas dimensões, são eles: aspectos cardiovasculares, morfológicos (composição corporal) e de flexibilidade e força muscular (GUEDES; GUEDES, 1995). Esses atributos são apontados como de grande importância e se relacionam com elementos ligados ao estilo de vida e a níveis adequados de atividade física. Sendo assim, na presença de um estilo de vida e de níveis de atividade física adequados, as dimensões da aptidão física relacionada à saúde apresentam resultados positivos. Assim, é importante que o profissional de Educação Física tenha informações sobre as dimensões da aptidão física relacionada à saúde (cardiovasculares, composição corporal, flexibilidade e força muscular) para ter elementos para a sua intervenção profissional, a fim de promover alterações positivas na saúde, tendo como foco as dimensões da aptidão física relacionada à saúde. 
Contudo, o Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sports Medicine - ACSM) tem sido um dos principais órgãos a organizar os estudos referentes à aptidão física, seja ela voltada à saúde, seja ao desempenho esportivo (ACSM, 2011). Nesse sentido, e de forma mais objetiva, a aptidão física voltada à saúde, segundo o ACSM (2011), tem sido relacionada aos cinco componentes principais, como demonstra a Figura 1.2.

Figura 1.2 | Componentes mensuráveis da aptidão física relacionada à saúde
Fonte: adaptado de ACSM (2011).

Aptidão física e a saúde: aspecto cardiovascular

O aspecto cardiovascular tem sido considerado um dos principais elementos da aptidão física voltada à saúde, pois a prática de atividade física, principalmente de intensidade moderada, tem contribuído para menores riscos de doenças cardiovasculares e de morte.

Reflita 

Reflita sobre a importância do profissional que intervirá na promoção da atividade física, resultando em uma melhora na função cardiovascular, leia o texto Mais de 1,4 bilhão de adultos correm risco de desenvolver doenças por inatividade física em todo o mundo, publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde, sobre os fatos científicos que relacionam a inatividade física com o aparecimento de doenças.

Assim, a melhora na aptidão física cardiovascular e, consequentemente, da função cardiorrespiratória reduzirá o risco de doença coronariana, mortalidade, morbidade, além de outros benefícios adicionais (ACSM, 2011). Uma das formas de se obter esses benefícios é realizando programas de exercícios físicos em dose adequada e que resultem em adaptações crônicas quanto às funções cardiovascular e respiratória, seja para fins de condicionamento físico, seja como tratamento de algumas doenças crônico-degenerativas. Além disso, outra possibilidade que compete ao profissional de Educação Física consiste em atuar nos diferentes segmentos da profissão, tendo como foco a promoção de hábitos saudáveis no que diz respeito à atividade física. Dessa forma, cabe ao profissional de Educação Física identificar e avaliar elementos restritivos à manifestação da atividade física (seja relacionado a uma pessoa, a um grupo de pessoas ou comunidade), a fim de promover ações que resultem na redução da inatividade física e na promoção da saúde por meio de hábitos saudáveis.
Entretanto, é preciso considerar que as questões de saúde são mais complexas e que a relação da aptidão física relacionada à saúde é um elemento que se conecta em uma rede maior de relações. Logo, embora plausível a afirmação de que índices adequados da aptidão física cardiovascular podem resultar em menores chances de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, não podemos excluir o fato de que os hábitos ligados à prática habitual de atividade física podem integrar elementos que se conectam com fatores mais complexos da saúde e sua promoção.
Quanto à intervenção do profissional de Educação Física, seja em programas de exercícios físicos, seja em atividades físicas, é importante que sejam utilizadas ferramentas de avaliação de aptidão cardiovascular e de identificação de fatores de risco para a prática de atividades físicas. Para tanto, é preciso estratificar o risco cardiovascular que uma pessoa pode apresentar mediante fatores diversos que podem indicar risco à saúde cardiovascular. 
Para avaliar o risco cardiovascular em um teste de esforço (máximo ou submáximo) ou em uma prática de exercícios físicos, faz-se importante a realização de procedimentos de triagem pré-esforço, levando em consideração fatores como: histórico de doenças cardiovasculares, contraindicação médica (exclusão), avaliação médica prévia e doenças e fatores limitantes já diagnosticados por profissionais da saúde (ex.: diabetes melito ou lesões ortopédicas) e que podem influenciar as avaliações específicas de aptidão física relacionada à saúde. Todos esses fatores podem compor fatores de risco primários (absolutos) ou secundários (relativos) à realização de testes de esforço. Nesse caso, é importante que o profissional de Educação Física identifique tais fatores de risco. 
Assim sendo, o Quadro 1.2 apresenta os fatores de risco absolutos ou relativos à realização de testes de esforço, que podem ser considerados contraindicados, quando avaliados exames clínicos por profissional da área da medicina ou mediante questionário/anamnese de histórico de saúde realizados por profissionais da saúde.

Quadro 1.2 | Fatores de risco primários ou secundários à realização de testes de esforço, segundo o ACSM (2011)
RISCO ABSOLUTO
•  Modificação recente e relevante no exame clínico de eletrocardiograma (ECG) em repouso que sugere isquemia significativa, infarto do miocárdio recente (em até 2 dias) ou outro evento cardíaco agudo.
•  Angina instável. 
•  Arritmias cardíacas descontroladas que causam sintomas ou comprometimento hemodinâmico.
•  Estenose aórtica sintomática grave.
•  Insuficiência cardíaca sintomática descontrolada.
•  Embolia pulmonar ou infarto pulmonar agudo.
•  Miocardite ou pericardite aguda.
RISCO RELATIVO*
•  Estenose da artéria coronária esquerda principal.
•  Doença cardíaca valvular estenótica moderada.
•  Anormalidades eletrolíticas (ex.: hipopotassemia, hipomagnesemia).
•  Hipertensão arterial grave (Pressão Arterial (PA) sistólica 200 mmHg e/ou PA diastólica 110 mmHg) em repouso.
•  Taquiarritmias ou bradiarritmias.
•  Miocardiopatia hipertrófica e outras formas de obstrução no trato de escoamento do fluxo anterógrado.
•  Distúrbios neuromusculares, musculoesqueléticos ou reumatoides exacerbados pelo exercício.
•  Bloqueio atrioventricular de alto grau.
•  Aneurisma ventricular.
•  Doença metabólica descontrolada (ex.: diabetes, tireotoxicose ou mixedema).
•  Doença infecciosa crônica (ex.: mononucleose, hepatite, AIDS).
•  Deficiência mental ou física que resulta em incapacidade de se exercitar adequadamente.
*As contraindicações relativas podem ser ignoradas quando os benefícios superam os riscos do exercício. Em algumas circunstâncias, esses indivíduos podem ser exercitados com cautela e/ou utilizando pontos terminais de baixo nível, especialmente quando eles se apresentam assintomáticos em repouso.
Fonte: adaptado de ACSM (2011).

De posse dessas informações, o profissional que orientar os programas de exercícios físicos ou de atividades físicas poderá considerar as categorias de estratificação dos riscos do ACSM para doença cardiovascular (DCV) aterosclerótica, conforme indicado na Figura 1.3. 
As categorias de estratificação são classificadas em: 
•  Baixo risco: (homens e mulheres assintomáticos que possuem ≤ 1 fator de risco de DCV indicado no Quadro 1.2).
•  Risco moderado: (homens e mulheres assintomáticos que possuem ≥ 2 fatores de risco indicados no Quadro 1.2). 
•  Alto risco: indivíduos que possuem doença cardiovascular (doença cardíaca, vascular periférica ou vascular cerebral), pulmonar (doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, doença pulmonar intersticial ou fibrose cística) ou metabólica (diabetes melito tipo 1 ou tipo 2, distúrbios da tireoide, doença renal ou hepática) ou ≥ sinais e sintomas, como dor, desconforto (ou outro equivalente anginoso) no tórax, no pescoço, na axila, nos braços ou em outras áreas que possam resultar da isquemia; falta de ar em repouso ou com esforço leve; tontura ou síncope; ortopneia ou dispneia paroxística noturna; edema nos tornozelos; palpitações ou taquicardia; claudicação intermitente; sopro cardíaco conhecido; fadiga incomum ou falta de ar com as atividades habituais.

Figura 1.3 | Estratificação de riscos quanto a realização de testes de esforço para avaliação da aptidão cardiovascular
Fonte: ACSM (2011, p. 18)

Assim, quando a estratificação de risco cardiovascular indicar a desobrigatoriedade do acompanhamento médico, os procedimentos de testes de esforço poderão ser realizados por um profissional de Educação Física, a fim de que, de posse dessas informações, possa planejar e orientar programas de exercícios físicos com diferentes objetivos ou atividades físicas de diferentes intensidades.
Outro fator importante que compõe a avaliação da aptidão física relacionada à saúde e que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares diz respeito à quantidade de gordura no corpo, que é avaliada por procedimentos de avaliação de composição corporal.

Assimile

Sobre os benefícios da atividade física regular e da participação de programas de exercício físico, segundo o ACSM (2011):
•  Melhora na função cardiovascular e respiratória
  -  Aumento da captação máxima de oxigênio em virtude de adaptações tanto centrais quanto periféricas.
  -  Ventilação-minuto mais baixa para determinada intensidade submáxima.
  -  Custo em oxigênio do miocárdio mais baixo para determinada intensidade submáxima absoluta.
  -  Frequência cardíaca e pressão arterial mais baixas para determinada intensidade submáxima.
  -  Aumento da densidade capilar no músculo esquelético.
  -  Limiar de exercício aumentado para o acúmulo de lactato no sangue.
  -  Limiar de exercício aumentado para o início de sinais ou sintomas de doença (ex.: angina do peito, depressão isquêmica do segmento ST, claudicação).
•  Redução nos fatores de risco de doença coronariana
  -  Pressões sistólica/diastólica em repouso reduzidas.
  -  Aumento nos níveis séricos de colesterol lipoproteico de alta densidade e diminuição nos níveis séricos de triglicerídeos.
  -  Gordura corporal total reduzida, gordura intra-abdominal reduzida.
  -  Necessidades de insulina reduzidas, tolerância à glicose melhorada.
•  Diminuição da mortalidade e morbidade
  -  Prevenção primária (ex.: intervenções para prevenir um evento cardíaco agudo).
  -  Atividade e/ou níveis de aptidão mais altos estão associados a taxas de morte mais baixas por doença coronariana.
  -  Níveis de atividade e/ou de aptidão mais altos estão associados a taxas de incidências mais baixas por doenças cardiovasculares, doença coronariana, câncer do cólon e diabetes tipo 2 combinados.
  -  Prevenção secundária (ex.: intervenções após um evento cardíaco para prevenir a ocorrência de outro evento).
  -  Com base em metanálises (dados acumulados por meio de estudos), a mortalidade cardiovascular, devido a todas as outras causas, é reduzida nos pacientes pós-infarto do miocárdio que participam de treinamento com exercícios para reabilitação cardíaca, especialmente como um componente de redução multifatorial nos fatores de risco*.
•  Outros benefícios adicionais
  -  Redução da ansiedade e da depressão.
  -  Função física aprimorada e estilo de vida independente nas pessoas mais velhas.
  -  Sensações realçadas de bem-estar.
  -  Desempenho aprimorado nas atividades laborativas, recreativas e esportivas.
  -  Risco reduzido de acidentes e de lesões devidas a quedas em pessoas mais velhas.
  -  Prevenção ou redução das limitações funcionais em pessoas mais velhas.
  -  Terapia eficiente para muitas doenças crônicas em adultos mais velhos.
*Ensaios controlados e randomizados do treinamento com exercícios para reabilitação cardíaca envolvendo pacientes pós-infarto do miocárdio. não confirmam uma redução na taxa de reinfarto não fatal

Aptidão física para a saúde: composição corporal

A composição corporal está incluída na aptidão física relacionada à saúde e estuda as proporções dos segmentos que compõem o corpo humano. Tais componentes se apresentam de forma característica sob influência de fatores não controláveis (ex.: determinantes genéticos, sexo, idade, etnia, doenças etc.) e controláveis (ex.: como hábitos alimentares e de prática habitual de atividade física). Nesse sentido, a proporção de alguns segmentos que compõem o corpo humano pode se apresentar de forma desfavorável aos atributos relacionados à saúde, como o excesso de massa corporal em detrimento do acúmulo de gordura (sobretudo o excesso de gordura visceral e subcutânea) relacionado a doenças cardiovasculares, metabólicas e inflamatórias ou, ainda, uma redução de massa muscular causada por sarcopenia característico de pessoas em idades mais avançada. Adicionalmente, níveis muito baixos de gordura corporal podem indicar distúrbios alimentares, o que resulta em problemas de saúde. Nesse caso, é importante observar os valores de referência dos componentes da composição corporal de forma quantitativa, relativizados quanto ao sexo e a idade, principalmente para que a composição corporal possa indicar bons níveis de aptidão física relacionada à saúde.
Para isso, a composição corporal fracionará o corpo humano de acordo com os diferentes níveis de organização baseados na observação e determinação quantitativa segundo os métodos e as técnicas de análise que envolvem a composição corporal. 

Exemplificando

Níveis de classificação da composição corporal (GUEDES; GUEDES, 1998)
•  Atômico: em que 98% da massa corporal são determinados pela combinação de moléculas de oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio e fósforo. Os demais 2% correspondem a cerca de 44 elementos. 
•  Molecular: considera-se, principalmente, os constituintes de moléculas de água (~73,8%), lipídios, carboidratos, proteínas (19,4%) e minerais (6,8%).
•  Celular: primeiro nível de organização anatômica dividindo o corpo em massa celular total (adipócitos, miócitos e osteócitos), fluidos extracelulares (água e plasmas intra e extravascular) estimadas por substâncias marcadas por isótopos) e sólidos extracelulares (substâncias orgânicas, como colágenos e fibras; elastinas de tecidos conectivos; e elementos inorgânicos, como cálcio e fósforo, mais presentes no tecido ósseo). 
•  Tecidual: organização de acordo com os diferentes tecidos do corpo, como tecidos conectivos (músculo, osso e adiposo), epitelial e nervoso.
•  Corpo inteiro: considera o corpo inteiro em relação ao seu tamanho, a sua forma, densidade e área.

A composição corporal tem sido estudada por métodos clássicos (de 2 componentes) e multicomponentes (pelos níveis anatômico, molecular, celular, tecidual e corpo todo). O modelo clássico tem sido amplamente utilizado nos estudos da composição corporal, pois divide o corpo em duas partes, sendo eles a gordura corporal e os outros tecidos que constituem a massa livre de gordura (MLG) (ANDRADE; LIRA, 2016). 
Para determinação dos diferentes componentes da composição corporal, são utilizados métodos diretos, indiretos e duplamente indiretos. O método direto apresenta elevado grau de precisão, mas é difícil de ser utilizado, pois envolve a dissecação de cadáveres. Os métodos indiretos são desenvolvidos com base nas medidas determinadas pelo método direto como referência de validade, podendo ser considerados os métodos mais precisos quanto à possibilidade de aplicação. Porém, os métodos indiretos apresentam alto custo, e os mais conhecidos são: pesagem hidrostática, hidrometria, plestimografia e absortometria radiológica de dupla energia (DEXA, do inglês dual-energy x-ray absorptiometry). Já os métodos duplamente indiretos têm como referência os métodos indiretos como parâmetro de validade e se apresentam com maior aplicabilidade por menor custo, embora possam apresentar maiores erros de padrão de estimativa. Os métodos duplamente indiretos mais conhecidos são a bioimpedância e o método antropométrico de dobras cutâneas (ANDRADE; LIRA, 2016; GUEDES; GUEDES, 1998).

Aptidão física para a saúde: flexibilidade

A flexibilidade é inserida dentro da dimensão funcional motora da aptidão física e se mostra um importante elemento da aptidão física relacionada à saúde. Por definição, a flexibilidade se caracteriza como a capacidade de amplitude de movimento de uma ou mais articulações. Essa amplitude de movimento é influenciada pela elasticidade dos músculos envolvidos com a mobilidade das articulações (estáveis devido à ação dos tecidos conjuntivos dos ligamentos, tendões e cápsulas envolvidas que compõem os tecidos conectivos). 
A ausência ou a insuficiência de índices de atividade física habitual pode resultar em uma maior rigidez dos tecidos que influenciam a flexibilidade. Nesse caso, tal rigidez pode contribuir para uma redução da capacidade de realizar atividades cotidianas, além de favorecer o aparecimento de lesões e sintomas de dor. Adicionalmente, uma flexibilidade reduzida, principalmente nas regiões do quadril e coluna, favorece problemas posturais, que podem evoluir para danos estruturais irreversíveis com dores acentuadas, desconforto e queda na qualidade de vida. Assim, torna-se plausível relacionar a flexibilidade a um componente importante da aptidão física relacionada à saúde (GUEDES; GUEDES, 1995; ACSM, 2011).
Diante da necessidade de se obter informações acerca da flexibilidade, há vários métodos e testes (simples e mais complexos) que podem envolver a utilização de algum instrumento comum nos testes com medidas angulares (para diferentes articulações e padrões de movimento, como flexão, extensão, adução e abdução) ou, simplesmente, instrumentos que indiquem a distância de alcance, como no teste de sentar e alcançar com auxílio do banco de Wells como indicativo da flexibilidade de quadril. Existem, ainda, protocolos e testes, como o teste de mobilidade de ombro, como indicativos da flexibilidade da articulação dos ombros. 

Aptidão física para a saúde: força muscular

A força e a resistência muscular têm sido assumidas como indicadores da dimensão funcional-motora da aptidão física relacionada à saúde, também denominada como aptidão muscular. A força e a resistência muscular se manifestam pela integração e função dos sistemas corporais neurais e musculoesquelético sobre o grau de tensão gerada mediante os processos que envolvem a contração muscular e como essa força gerada pode resistir frente às diferentes ações musculares (contrações concêntricas, excêntricas e/ou isométricas), seja de forma máxima, seja submáxima. Para avaliação da força e resistência muscular (estática, dinâmica ou isocinética), são necessárias informações quantitativas extraídas de testes e protocolos de esforço (com ou sem auxílio de equipamentos) para se estabelecer uma interpretação desses valores sob a ótica da aptidão física voltada à saúde. Dessa forma, deve-se conhecer os procedimentos técnicos de cada método de avaliação da força e/ou resistência muscular que resulte em indicadores válidos quanto às informações que se relacionam à aptidão muscular (ACSM, 2011).
A força e a resistência muscular podem ser desenvolvidas mediante a aplicação de resistências com diferentes intensidades e repetições de contrações. Os meios mais conhecidos para se promover resistências aos diferentes tipos de ações musculares envolvem o uso de pesos livres, as máquinas de exercício de resistência e a utilização de movimentos que utilizam o próprio peso corporal. Para todas as possibilidades, há de se observar e orientar a técnica do movimento e proporcionar exercícios que auxiliem na familiarização e no aprendizado do movimento (ANDRADE; LIRA, 2016).
A forma do ser humano interagir com o meio ambiente se dá mediante o movimento. Esse movimento acontece por meio de diversas contrações musculares que respondem a um padrão de organização e ativação neural. Assim, para todo movimento corporal, há um grau de força desempenhado, logo, a capacidade da função neuromuscular em gerar força e resistência ao longo da vida do ser humano pode favorecer na forma como esse ser humano interage com o meio ambiente em que vive. Essa relação, quando satisfatória, pode indicar níveis adequados de capacidade de aptidão muscular com relação à saúde, e isso reflete em menores chances de lesões no aparelho locomotor, sintomas de dores, problemas posturais da coluna e menor estresse fisiológico cardiovascular para manter uma determinada tarefa, seja ela de característica energética anaeróbia, seja aeróbia (GUEDES; GUEDES, 1995). De forma inversa, problemas de saúde podem impactar a aptidão muscular, sendo indicada como a sarcopenia (perda anormal da massa muscular) e dinapenia (perda anormal da capacidade de gerar força muscular), comuns na terceira idade (GUEDES; GUEDES, 1995). 
A força e a resistência muscular se manifestam nas atividades físicas habituais do ser humano, como mover objetos de diferentes tamanhos e peso em ações motoras como empurrar, puxar, levantar objetos e resistir a pressões ou, simplesmente, sustentar algo mediante contrações musculares por algum tempo, como caminhar carregando sacolas de mercado. Ou seja, a força/resistência apresenta-se como um elemento essencial sobre as condições de saúde funcional, logo, a forma como nosso corpo se movimenta e interage com o ambiente pode auxiliar na manutenção ou no desenvolvimento de uma aptidão muscular adequada para a saúde. Em outra possibilidade, a aptidão muscular pode ser desenvolvida com métodos e técnicas de treinamento com exercícios físicos que promovem ganhos de força, resistência e potência muscular.

Faça valer a pena

Questão 1

A composição corporal está incluída na aptidão física relacionada à saúde e estuda as proporções dos segmentos que compõem o corpo humano. Tais componentes se apresentam de forma característica sob influência de fatores não controláveis (ex.: determinantes genéticos, sexo, idade, etnia, doenças etc.) e controláveis (ex.: hábitos alimentares e prática habitual de atividade física).  
As informações da composição corporal do corpo humano quanto a quantidade de massa de gordura e massa livre de gordura se relacionam à dimensão acerca da aptidão física relacionada à saúde? Assinale a alternativa correta.

Tente novamente...

Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.

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Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.

Correto!

As informações da composição corporal do corpo humano em relação à quantidade de massa de gordura e massa livre de gordura se relacionam com a dimensão morfológica.

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Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.

Questão 2

A tomada de decisão de um profissional de Educação Física quanto à aplicação de um teste de esforço ou da prática de um exercício físico leva em consideração informações sobre o estado de saúde de uma pessoa por meio de informações de sintomas de riscos relativo e absoluto. 
Diante disso, quando o profissional de Educação Física poderá prosseguir com a aplicação de um teste de esforço máximo? Assinale a alternativa correta. 

Correto!

Nas condição de baixo risco, em que homens e mulheres assintomáticos possuem ≤ 1 fator de risco de doença cardiovascular, pode ser realizado o teste de esforço sem acompanhamento médico.

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Questão 3

A força e a resistência muscular têm sido assumidas como indicador da dimensão funcional-motora da aptidão física relacionada à saúde, também denominada aptidão muscular. 
Aspectos que podem comprometer a aptidão muscular, principalmente no que diz respeito a níveis inadequados de atividade física habitual, e que resultem no aparecimento de sarcopenia e dinapenia podem ser identificados por testes relacionados a quais componentes da aptidão física relacionada à saúde?
Assinale a alternativa correta.

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Correto!

Aspectos e informações de testes e protocolos da dimensão funcional-motora podem indicar níveis adequados de força/resistência muscular, que são inversamente proporcionais ao aparecimento de doenças que resultam em sarcopenia e dinapenia.

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Referências

ACSM. Manual do ACSM para avaliação da aptidão física relacionada à saúde. 3. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2011. Disponível em: https://bit.ly/2QSrGLL. Acesso em: 22 abr. 2021.
ANDRADE, M. S.; LIRA, C. A. B. Fisiologia do exercício. 1. ed. Barueri: Editora Manole, 2016. 
GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R. P. Controle do peso corporal: composição corporal, atividade física e nutrição. Londrina: Midiograf, 1998.
GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R. P. Exercício físico na promoção da saúde. Londrina: Midiograf, 1995.
OPAS — Organização Pan-Americana da Saúde. Mais de 1,4 bilhão de adultos correm risco de desenvolver doenças por inatividade física em todo o mundo. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3tdSW4B. Acesso em: 16 mar. 2021. 
OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde. OMS lança novas diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3vFr9LL. Acesso em: 22 abr. 2021.

Bons estudos!

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