Fonte: Shutterstock.
Deseja ouvir este material?
Áudio disponível no material digital.
Praticar para aprender
A melhora das condições físicas, fisiológicas, estéticas e comportamentais na busca de um desempenho humano cada vez maior não é algo novo na sociedade, tampouco restrito ao meio esportivo (ROGERI; CAPERUTO, 2018). Atualmente, as informações relacionadas ao uso de substâncias não convencionais estão mais vinculadas ao contexto esportivo por meio de doping. Já foram apresentados, na seção anterior, os aspectos legais e as instituições que controlam, fiscalizam e determinam punições pelo uso de substâncias proibidas no esporte, entretanto, o que envolve o uso e a busca de desempenho por meio de doping é algo que vai além da questão institucional presente no esporte; trata-se de uma questão filosófica e moral que se faz presente na sociedade.
Ao utilizar substâncias ilícitas como recurso ergogênico, visando à vantagem competitiva, o atleta expõe sua saúde a um risco, muitas vezes, não controlado, além de infringir valores e princípios éticos inerentes à prática esportiva. Diante desse cenário, Fernanda precisa saber a quais riscos seus atletas estão expostos ao realizarem o doping, ou seja: quais são os possíveis efeitos colaterais relacionados ao uso de substâncias com essa finalidade? Quais são os malefícios para a saúde (fisiológicos, metabólicos e psicológicos)? Quais são as repercussões éticas dessa prática?
Nesta seção, serão indicadas algumas leituras fundamentais para que possa aprofundar seus estudos sobre o tema e compreender o conteúdo. Organize-se e separe um tempo a mais para a realização dessas leituras, pois serão importantes para você!
conceito-chave
Possíveis efeitos colaterais (malefícios para a saúde)
Ao longo da história, vários estudos foram realizados a respeito de substâncias que podem promover uma melhora do desempenho humano em atividades como corrida e ciclismo. Vale ressaltarmos que houve experimentos em que os resultados favoreceram o desempenho, mas também teve aqueles que reportaram efeitos colaterais e até casos de morte (ROGERI; CAPERUTO, 2018). Desse modo, não há como falar de doping sem mencionar os riscos à saúde àqueles que se submetem às estratégias “não convencionais” na busca de um desempenho físico e esportivo a qualquer custo.
O período da Segunda Guerra Mundial foi crucial para o surgimento de substâncias ilícitas que promoviam um efeito de melhor desempenho nos esportes. Nesse período em diante, as substâncias e drogas de anfetaminas e os esteroides começaram a surgir e seu uso nos esportes se tornou evidente. Rogeri e Caperuto (2018, p. 241) afirmam que:
As anfetaminas eram as responsáveis pela agressividade (e pelas mortes também) dos pilotos de caça da RAF, a força aérea britânica, enquanto os esteroides tinham a função de fazer um soldado mais forte, mais resistente e mais agressivo. Ingredientes de sucesso também para um atleta campeão, tornando essas substâncias populares entre os atletas até os dias de hoje.
Nesse sentido, deixamos aqui exposto que o uso nos esportes foi, de certa forma, precedido pelo uso militar, em que a saúde e a integridade física dos soldados eram expostas em prol do seu desenvolvimento, a fim de que levassem vantagem em um contexto de guerra. Entretanto, os efeitos colaterais tiveram mais impacto, levando, em alguns casos, à morte.
Com isso, na tentativa de tornar as competições no esporte “mais justas” e de combater práticas nocivas ao ser humano, às quais os atletas estavam sendo submetidos, foi criada a WADA, em 10 de novembro de 1999. A partir disso, foi realizada a Primeira Conferência Mundial sobre doping nos esportes, em Lausanne, na Suíça, que gerou a Declaração de Lausanne sobre doping nos esportes, passando a existir algumas determinações e a ser estabelecida a “criação de uma agência antidoping internacional e independente, que deveria já estar operante para os jogos olímpicos de Sydney, Austrália, em 2000” (ROGERI; CAPERUTO, 2018, p. 242).
Quando considerados os potenciais efeitos colaterais do doping no esporte, entende-se que esses efeitos estão relacionados ao uso de substâncias ilícitas ou de métodos/procedimentos proibidos.
Uma das substâncias mais conhecidas é a testosterona (hormônio sexual masculino e produzido em quantidades menores em mulheres), como um agente anabólico administrado via forma sintética exógena. Ela é conhecida por promover maior síntese de proteínas, o que pode aumentar a massa muscular, melhorar a recuperação após treinos intensos ou competições e reduzir a massa de gordura. Os potenciais efeitos colaterais e adversos à saúde relatados pela literatura e listados por Rogeri e Caperuto (2018) são:
[...] esteroides apresentam efeitos adversos, podendo causar hipertensão, aterosclerose, hipertrofia cardíaca e infarto do miocárdio, coagulação anormal, tumores hepáticos e hepatotoxicidade, além de sintomas psicológicos como aumento da agressividade e irritabilidade. Em homens, podem levar a hipofertilidade, perda da libido, disfunção erétil, ginecomastia, acne, sudorese profusa e, nas mulheres, causar virilização, hirsutismo, alopecia, alteração no timbre da voz, hipertrofia clitoriana, atrofia das mamas, acne, menstruação irregular e amenorreia.
Embora esses efeitos colaterais supracitados são tidos como potenciais riscos à saúde de atletas, uma vez que o uso dessas drogas é mais comum no meio esportivo, há de se considerar que esses efeitos colaterais podem acometer pessoas, em geral, que buscam os “benefícios” promovidos pelo uso sintético da testosterona. É importante lembrar que, em alguns casos, a recomendação do uso de drogas sintéticas com efeitos anabólicos pode ser administrada com orientação médica, de forma exclusiva, para tratamento de alguma desordem fisiológica ou de alguma doença (AQUINO NETO, 2001; ROGERI; CAPERUTO, 2018, p. 242).
Outras drogas, como hormônios peptídicos (corticotrofinas, hormônio do crescimento — do inglês growth hormone, GH —, os agentes estimulantes da eritropoetina, estabilizadores e ativadores do fator indutor de hipoxia — HIF, hypoxia inducible fator —, hormônios luteinizante LH, gonadotrofina coriônica humana CG etc.), podem alterar o balanço entre síntese e degradação de alguma proteína-chave do metabolismo celular, refletindo em um aumento da capacidade física, de recuperação e do desempenho humano por vias não naturais.
O GH, hormônio do crescimento, exerce grande função e é muito importante nas fases de crescimento e desenvolvimento na infância, principalmente por promover crescimento tecidual muscular e ósseo de forma natural. O seu uso na forma sintética, visando a ganhos de desempenho entre atletas ou praticantes de atividades físicas diversas (embora seus efeitos sejam controversos), pode gerar complicações como acromegalia e problemas cardiovasculares, como hipertensão, insuficiência cardíaca e cardiomiopatias, além de problemas de ordem metabólica, como aumento da resistência à insulínica e diabetes, e do desenvolvimento de diversos tipos de câncer (AQUINO NETO, 2001; ROGERI; CAPERUTO, 2018).
Uma substância de grande conhecimento entre atletas e praticantes de modalidades de resistência aeróbica, como ciclismo de estrada e corridas de longa duração, é a eritropoetina (EPO), produzida pelos rins, que tem o papel fisiológico de promover o processo de diferenciação de células do sangue com a produção de hemácias, importantes no processo de captação e transporte de oxigênio. Seus efeitos colaterais adversos existem frente à possibilidade de aumentar a produção sanguínea de glóbulos vermelhos e alterar a viscosidade do sangue, podendo causar uma trombose venosa profunda (pelo aumento da formação de trombos), problemas de ordem cardíaca, além de promover um risco aumentado de acidentes vasculares encefálicos (ROGERI; CAPERUTO, 2018).
As drogas que se relacionam aos estabilizadores e ativadores do fator indutor de hipoxia (HIF) têm como finalidade, entre os atletas de resistência aeróbica, estimular a eritropoese (processo de formação de eritrócitos ou hemácias), resultando em uma melhora no transporte de oxigênio, na formação de novos vasos, na inibição da ação das citocinas inflamatórias e no estímulo da absorção de ferro. Seus efeitos colaterais adversos são os mesmos relacionados ao uso de EPO somados à vascularização em tumores cancerígenos (ROGERI; CAPERUTO, 2018).
Drogas estimulantes, como cocaína, anfetaminas e efedrina promovem os efeitos fisiológicos adrenérgicos (efeitos anti-inflamatórios; aumento da vasodilatação e do débito cardíaco; efeitos anabólicos) nos tecidos periféricos e no sistema nervoso central, entretanto, os efeitos colaterais associados às drogas consideradas como agonistas beta-adrenérgicos são: maior risco de arritmias cardíacas, como taquiarritmias (elevação anormal da frequência cardíaca), elevação nas concentrações de glicose no sangue (pela glicogenólise hepática elevada) e alergias no trato das vias respiratórias (AQUINO NETO, 2001; ROGERI; CAPERUTO, 2018).
Drogas classificadas como moduladores hormonais (ex.: que alteram as funções de miostatina, inibidores da aromatase e substâncias antiestrogênicas) e moduladores metabólicos (ex.: insulina) também podem causar efeitos colaterais, como elevação da produção de estrogênio associado à ginecomastia e diminuição endógena de testosterona no organismo.
Com a finalidade de otimizar o processo fisiológico de captação de glicose e aminoácidos, resultando em ganhos de reserva bioenergética por aumentar a capacidade da glicogênese, além de promover melhor recuperação após sessões de treinos intensos ou competições, o uso de insulina tem sido procurado por atletas e praticantes de atividades físicas. Seus efeitos adversos e colaterais proporcionam ganho de massa gorda, pois, para se evitar um estado hipoglicêmico, há um aumento de consumo de carboidratos (ROGERI; CAPERUTO, 2018).
O uso de medicamentos diuréticos com finalidades de melhoria de desempenho, por maior perda hídrica, pode acarretar riscos à saúde por induzir a desidratação, além dos riscos associados ao sistema cardiovascular (AQUINO NETO, 2001).
De forma geral, podemos listar alguns efeitos colaterais fisiológicos e psicológicos do uso de substâncias proibidas no esporte e que podem ser observados no Quadro 4.2
| Classificação da substância | Efeitos colaterais encontrados (fisiológicos, mecânicos e psicológicos) |
|---|---|
| Estimulantes | Elevação da pressão arterial. Dores de cabeça. Arritmia. Ansiedade. Tremores. |
| Analgésicos narcóticos | Depressão respiratória. Dependência física e mental grave. Sem dores, o atleta pode apresentar maiores danos estruturais na musculatura e nas articulações. |
| Betabloqueadores | Broncoespasmo em asmáticos. Riscos de eventos cardiovasculares em caso de insuficiência cardíaca. |
| Beta-agonistas | Tremores musculares, queda de pressão arterial com taquicardia, vasodilatação pulmonar, nervosismo, acidose lática, hiperglicemia, insônia, vertigens, sudorese, cefaleia, náuseas e vômitos, ansiedade, câimbras musculares, hipopotassemia, hipomagnesemia. Taquicardia, arritmia, angina, palpitações e parada cardíaca em portadores de doenças cardiovasculares. Hiperglicemia em portadores de diabetes. |
| Uso abusivo de anabolizantes | Leves: problemas virilizantes, feminilizantes e tóxicos; distúrbios de crescimento e desenvolvimento ósseo; lipemia (queda de HDL e aumento do LDL), favorecendo a antogênese. Homens: diminuição dos testículos, impotência, ginecomastia e estreitamento da uretra. Mulheres: maior pilosidade corporal, calvície de padrão masculino, clitóris hipertrofiado, ciclo menstrual desregulado ou ausente, voz rouca e acne. Graves: problemas cardiovasculares (cardiopatia, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar). Fígado (icterícia, adenoma e carcinoma). Psicológico (agressividade aumentada, psicose, disforia e depressão). |
| Eritropoetina (EPO) | Agravamento da hipertensão por aumento da viscosidade do sangue devido à maior produção de glóbulos vermelhos, podendo provocar problemas cardiovasculares. |
| Uso abusivo de hormônio do crescimento (GH) | Uso continuado: acromegalia com sintomas observados até dez anos, redução da força muscular, hipertrofia cardíaca, cardiopatias graves, osteoartrite, tumores malignos (comuns no colón), apneia do sono, hipertensão, diabetes melito. |
| Uso abusivo de diuréticos | Possível relação com problemas cardíacos por perdas de sais. |
| Uso abusivo de corticoides | Fragilidade dos tendões, rompimentos e lesões musculares, fadiga crônica e queda de desempenho, infecções locais e generalizadas, problemas cardiovasculares que podem levar a óbito. |
Substâncias ilícitas (difícil acesso e falta de acompanhamento especializado)
A busca do desempenho na busca de substâncias ilícitas ainda é um grande problema nos esportes em geral. Para ser possível acompanhar e fiscalizar os atletas, a WADA apresenta uma lista de drogas e procedimentos que são proibidos durante ou fora do período de competição, bem como aquelas substâncias que são proibidas em esportes específicos (WADA, 2021).
No Quadro 4.3 serão apresentadas as classificações das substâncias proibidas e os métodos que se enquadram como doping, de acordo com a WADA (2021).
Entre as substâncias encontradas e listadas como proibidas, estão as substâncias lícitas ao mercado de consumo, com ou sem o uso de receita médica, mas há drogas ilícitas que podem ser utilizadas para fins de ganho de desempenho em competição nos esportes ou por vício, como estimulantes (ex.: cocaína), narcóticos (ex.: heroína) e canabinoides (ex.: marijuana ou maconha).
| Lorem ipsum | Lorem ipsum |
|---|---|
| SUBSTÂNCIAS NÃO APROVADAS DURANTE OU FORA DE COMPETIÇÃO | |
| Substâncias não aprovadas em geral | Informações adicionais |
| Agentes anabólicos | Esteroides anabólicos androgênicos. Outros agentes anabólicos. |
| Hormônios peptídeos, fatores de crescimento e substâncias relacionadas | Eritropoietina (epo) e agentes que afetam a eritropoietina. Hormônios peptídeos e seus fatores de liberação. Fatores de crescimento e seus moduladores. |
| Agonistas beta-adrenérgicos 2 | Todos os agonistas beta-2 seletivos e não seletivos, incluindo todos os isômeros ópticos, são proibidos. Deve-se considerar a possibilidade de exceções quanto ao uso de: Salbutamol inalado, Formoterol inalado, Salmeterol inalado e Vilanterol inalado. Mas a presença na urina de Salbutamol em excesso de 1000 ng / mL ou de Formoterol em excesso de 40 ng / mL não condiz com o uso terapêutico da substância e será considerada um achado analítico adverso (AAF), a menos que o atleta prove, por meio de um estudo farmacocinético controlado, que o resultado anormal foi consequência de uma dose terapêutica (por inalação) até a dose máxima indicada acima. |
| Hormônios e moduladores metabólicos | Os diuréticos e agentes de mascaramento são proibidos, bem como outras substâncias com estrutura química ou efeito biológico semelhantes. A detecção na amostra de um atleta, em todos os momentos ou durante a competição, de qualquer quantidade das seguintes substâncias sujeitas a limites, como Formoterol, Salbutamol, Catina, Efedrina, Metilefedrina e Pseudoefedrina, em conjunto com um diurético ou máscara agente será considerada como um resultado analítico adverso (AAF), a menos que o Atleta tenha uma isenção de uso terapêutico (TUE) aprovada para essa substância, bem como para o agente diurético ou mascarador. |
| Métodos proibidos durante ou fora de competição | |
| M1. Manipulação e componentes de sangue. | |
| M2. Manipulação físico e químico. |
|
| M3. Doping genético e celular. |
|
| SUBSTÂNCIAS E MÉTODOS PROIBIDOS EM COMPETIÇÃO |
|
| Estimulantes |
|
| Estimulantes não especificados | Os diuréticos e agentes de mascaramento são proibidos, bem como outras substâncias com estrutura química ou efeito biológico semelhantes. A detecção na amostra de um atleta, em todos os momentos ou durante a competição, de qualquer quantidade das seguintes substâncias sujeitas a limites, como Formoterol, Salbutamol, Catina, Efedrina, Metilefedrina e Pseudoefedrina, em conjunto com um diurético ou máscara agente será considerada como um resultado analítico adverso (AAF), a menos que o Atleta tenha uma isenção de uso terapêutico (TUE) aprovada para essa substância, bem como para o agente diurético ou mascarador. |
| Estimulantes especificados | Clonidina e derivados de imidazol para uso dermatológico, nasal ou oftálmico e os estimulantes incluídos no Programa de Monitoramento 2021 e detalhados na lista da WADA. |
| Narcóticos | |
| Todos os isómeros ópticos são proibidos | Medicamentos para o tratamento de dor, inclusive de lesões musculoesqueléticas. |
| Canabinoides | |
| Todas as substâncias proibidas nessa classe são substâncias especificadas. Substância de abuso nesta seção: tetrahidrocanabinol (THC). |
Todos os canabinoides naturais e sintéticos são proibidos, por exemplo: cannabis (haxixe, maconha) e produtos de cannabis. tetrahidrocanabinol natural e sintético (THCs); canabinoides sintéticos que imitam os efeitos do THC. Execeções: canabidiol. |
| Glicocorticoides |
|
| Algumas dessas substâncias podem ser encontradas sem limitação em medicamentos usados para o tratamento de alergia, anafilaxia, asma, doença inflamatória intestinal. | Todos os glicocorticoides são proibidos quando administrados por via oral, intravenosa, intramuscular ou por via retal. |
| SUBSTÂNCIAS PROIBIDAS EM ALGUNS ESPORTES ESPECÍFICOS | |
| Betabloqueadores | |
| Algumas dessas substâncias podem ser encontradas sem limitação em medicamentos usados para o tratamento de insuficiência cardíaca e hipertensão. | |
| Nota: informações mais precisas e detalhadas estão presentes no site da WADA. | |
Transgressão de valores éticos
A prática esportiva pode trazer valores importantes para todos os seus envolvidos, além de proporcionar momentos de reflexão sobre valores éticos e morais frente a situações de competição. Entretanto, a busca da vitória pode expor o atleta a comportamentos contrários a tais valores, o que, ao longo da história, podemos observar nas quebras de recordes por meio do uso de doping, que, para além disso, provocou mortes e problemas de saúde irreversíveis em atletas e praticantes de atividades físicas em geral (que fazem uso de substâncias lícitas e ilícitas para fins estéticos e de desempenho fora do ambiente esportivo institucional). Assim, questões éticas e morais devem ser ensinadas pelos técnicos e professores de Educação Física que atuam nos esportes, principalmente aos atletas em formação, para que esses valores elevem a condição humana acima de qualquer interesse de vitória a qualquer custo.
Além disso, há de se considerar que elementos éticos, para uma “competição justa”, são a favor da ideia de combate ao doping nos esportes. Segundo Costa et al. (2005), tratam-se de elementos de senso comum, em que:
a. Há uma legislação que lista uma série de substâncias e métodos proibidos, por isso, deve ser respeitada.
b. O uso abusivo de substâncias e métodos proibidos pode levar a situações prejudiciais à saúde. c. O doping não pode ser um recurso aplicado no esporte por infringir aspectos éticos, físicos e morais, levando ao julgamento punitivo quem comete essa infração.
Embora as questões éticas sejam envoltas por argumentos de senso comum, segundo Costa et al. (2005), é preciso considerar os elementos de maior complexidade que envolvem o doping nos esportes, pois ele está ligado a um universo de questões políticas e econômicas.
Em síntese, para que se tenha um esporte de alto nível ético é preciso evitar o tratamento superficial do tópico, intensificar as relações ciência-esporte e orientar federações e patrocinadores para a avaliação correta e realista do esporte profissional em suas belezas e conflitos.
Logo, devemos tratar as questões éticas nos esportes de forma mais profissional e técnica, evitando um olhar impregnado do senso comum.
Reflita
Para refletir sobre as questões éticas que envolvem o doping nos esportes, sugerimos a leitura do artigo publicado por Costa et al. (2005) intitulado Doping no esporte: problematização ética.
COSTA, F. S. da et al. Doping no esporte: problematização ética. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, [S. l.], v. 27, n. 1, p. 113-122, 2008.
Dependência (vício)
Nesse sentido, o atleta de alto nível deve ter a sua disposição uma estrutura de acompanhamento médico para que eventuais tratamentos com o uso de medicamentos sejam realizados com grande cuidado, a fim de não serem configurados como doping. Além disso, quando necessário o uso de medicamentos por motivos de saúde, o órgão fiscalizador deve ser informado do motivo, bem como ter conhecimento do nome da substância, do número de doses e do tempo de tratamento.
Além de uma estrutura para tratamento médico, é preciso uma equipe multidisciplinar para informar aos atletas sobre os problemas de saúde que o uso de drogas lícitas e ilícitas disponibilizadas na sociedade pode provocar, bem como as eventuais punições durante os procedimentos de testagem, os problemas psicológicos, comportamentais e de saúde relacionados ao vício.
Assimile
Observe os demais efeitos colaterais relacionados ao uso de drogas ilícitas classificadas como doping na saúde de homens e mulheres atletas ou de praticantes de atividades físicas na publicação intitulada Efeitos Colaterais da Dopagem.
GOVERNO FEDERAL. Ministério da Cidadania. Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Efeitos colaterais da dopagem. 2020.
Exemplificando
Para mais informações a respeito dos problemas quanto ao uso abusivo de substâncias proibidas no esporte, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) disponibilizou uma série de perguntas e respostas, Prejuízos para a Saúde do Atleta, em seu site.
ABCD. Prejuízos para a saúde do atleta. [s. d.].
Uma vez que o uso de substâncias proibidas para fins de ganho de desempenho pode causar sérios problemas à saúde, bem como a dependência química ou psíquica da droga, cabe ao treinador ou professor de Educação Física orientar e informar os atletas sobre os potencias problemas relacionados ao uso de substâncias ou métodos que configuram doping nos esportes.
Faça valer a pena
Questão 1
Complete as lacunas da sentença a seguir.
Nos anos mais próximos da Segunda Guerra Mundial, surgiram substâncias ilícitas que promoviam efeitos ____________ no desempenho dos atletas. Nesse período em diante, as substâncias e as drogas de _____________ e os _____________ começaram a surgir e o seu uso nos esportes se tornou evidente.
Assinale a alternativa correta que completa a lacuna.
Correto!
A resposta correta é: Nos anos mais próximos da Segunda Guerra Mundial, surgiram substâncias ilícitas que promoviam efeitos ergogênicos no desempenho dos atletas. Nesse período em diante, as substâncias e as drogas de anfetaminas e os esteroides começaram a surgir e seu uso nos esportes se tornou evidente.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Questão 2
Ao longo da história, foram registrados diversos casos de uso de doping que provocaram sérios problemas à saúde dos atletas, além de vários casos que chegaram a óbito. A partir disso, visando ao combate de práticas que colocam atletas em risco, foi criado um órgão independente que se organiza enquanto agência antidoping nos esportes.
Diante disso, qual o nome dessa instituição e em qual olimpíada iniciou suas atividades de forma operacional? Assinale a alternativa correta.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Correto!
A resposta correta é: A World Anti-Doping Agency, criada em 1999, teve início nas olimpíadas de Sydney.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Questão 3
O uso de métodos e procedimentos que envolvem intervenções médicas também pode ser configurado como doping, como a manipulação sanguínea. Entretanto, há outras formas de se otimizar efeitos parecidos com o uso de substâncias específicas.
Assim, analise as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
- Uma substância de grande conhecimento entre atletas e praticantes de modalidades de resistência aeróbica, como ciclismo de estrada e corridas de longa duração, é a eritropoetina (EPO), produzida pelos rins.
PORQUE
- Essa substância tem o papel fisiológico de promover o processo de diferenciação de células do sangue, com a produção de hemácias, importantes no processo de captação e transporte de oxigênio. Seus efeitos colaterais adversos existem frente à possibilidade de aumentar a produção sanguínea de glóbulos vermelhos e alterar a viscosidade do sangue, podendo causar uma trombose venosa profunda (pelo aumento da formação de trombos), problemas de ordem cardíaca, além de promover um risco aumentado de acidentes vasculares encefálicos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Correto!
A resposta correta é: As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Tente novamente...
Esta alternativa está incorreta, leia novamente a questão e reflita sobre o conteúdo para tentar outra vez.
Referências
ABCD. Prejuízos para a saúde do atleta. [s. d.]. Disponível em: https://bit.ly/2RRMHWU. Acesso em: 7 maio 2021.
AQUINO NETO, F. R. de. O papel do atleta na sociedade e o controle de dopagem no esporte. Rev. Bras. Med. Esporte, Niterói, v. 7, n. 4, p. 138-148, jul./ago. 2001.
COSTA, F. S. da et al. Doping no esporte: problematização ética. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, [S. l.], v. 27, n. 1, p. 113-122, 2008. Disponível em: https://bit.ly/3uMEzFZ. Acesso em: 7 maio 2021.
GOVERNO FEDERAL. Ministério da Cidadania. Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Efeitos colaterais da dopagem. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3eIOQxe. Acesso em: 6 maio. 2021.
ROGERI, P. S.; CAPERUTO, E. C. Doping. In: LANCHA JÚNIOR, H. A.; ROGERI, P. S.; PEREIRA-LANCHA, L. O. Suplementação nutricional no esporte. 2. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2018.
WADA. 2021 list of prohibited substances and methods. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3ho7Vqn. Acesso em: 7 maio 2021.



